Seu voto também decide o clima
O calor dentro de casa, a falta de água e uma chuva que impede a ida ao trabalho aproximam o tema do clima da nossa rotina. Em 25 de outubro de 2026, o Brasil volta às urnas para o segundo turno da eleição presidencial. As decisões de quem governar podem influenciar a proteção ambiental e a preparação das cidades para enfrentar esses problemas.
O compromisso da JDS
A JDS não apoia institucionalmente partidos ou candidaturas. Nosso foco está nas pautas que defendemos: desenvolvimento sustentável, justiça social, proteção do meio ambiente e enfrentamento das mudanças climáticas. Acompanhamos propostas e cobramos responsabilidades de qualquer governo, pelos mesmos critérios.
Para nós, desenvolvimento sustentável significa melhorar as condições de vida, ampliar oportunidades e cuidar dos recursos naturais, considerando também as próximas gerações. Esse compromisso orienta nossa atuação junto às juventudes e nossa participação no debate público.
Quatro frases que a gente ouve (e o que os dados dizem)
"Política é uma coisa, meio ambiente é outra." O orçamento ambiental é decidido por quem governa. A proposta de orçamento do Ministério do Meio Ambiente para 2021 foi a menor em 21 anos: R$ 1,72 bilhão, segundo o Observatório do Clima. Menos dinheiro significa menos fiscal em campo e menos prevenção. Decisões públicas que definem recursos, regras e prioridades para a proteção ambiental. O debate envolve como o dinheiro será aplicado, quem executará as ações e como os resultados serão acompanhados.
"Mas nada muda, o ambiente continua o mesmo." Muda, e os números mostram. Em 2021, a Amazônia perdeu 13.038 km² de floresta, o maior valor em mais de uma década. Em 2025, foram 5.796 km², a menor taxa em 11 anos e o quarto ano seguido de queda (Prodes/Inpe). A floresta é a mesma. O que mudou foi a política de fiscalização e controle. O instituto relaciona a redução a políticas públicas e esforços de fiscalização e conservação.
"O voto para presidente não muda a minha rua." O desmatamento lá longe volta para cá como calor extremo, chuva irregular e comida mais cara. E é o governo federal que define o dinheiro para prevenção de desastres, saneamento e adaptação das cidades. Por isso, acompanhar responsabilidades, prazos e recursos ajuda a entender o que cada esfera de governo pode fazer.
"Isso não vai me afetar." Talvez não afete você primeiro, mas afeta milhões. O número de pessoas passando fome no Brasil saltou de 19 milhões para 33,1 milhões entre 2020 e 2022, e 65% dos lares chefiados por pessoas pretas ou pardas conviviam com alguma restrição de alimentos (Rede PENSSAN). Já o garimpo em terras indígenas cresceu 495% entre 2010 e 2020 (MapBiomas). Sustentabilidade também é direitos humanos e democracia.
Esses problemas não afetam todos da mesma forma. Uma família pode ter recursos para se mudar ou reconstruir a casa, outra pode perder sua única moradia e fonte de renda. O acesso à água, aos alimentos e à proteção depois de um desastre conecta a discussão ambiental à justiça social. O clima pode agravar dificuldades, mas não é a única causa da pobreza ou da fome.
O que os planos de governo dizem sobre meio ambiente
A comparação a seguir considera os planos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e as análises do Política por Inteiro, da Agência Brasil e do Jornal de Brasília, consultados em 13 de outubro de 2026. Ela apresenta propostas declaradas nos documentos, não resultados comprovados nem uma avaliação de toda a trajetória dos candidatos. A ausência de uma meta no plano não permite concluir, por si só, que não existam outras manifestações sobre o assunto.
Agora, a avaliação é sua:
Tema | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
Mudanças climáticas | Cita a meta brasileira de reduzir emissões líquidas de 59% a 67% até 2035, em relação a 2005, e o Plano Clima. | Não menciona mudança climática, Acordo de Paris nem meta de emissões |
Florestas | Propõe desmatamento líquido zero até 2030 (o que for derrubado precisa ser compensado com recuperação). | Zerar o desmatamento ilegal até 2029 (o desmatamento autorizado continua) |
Petróleo e gás | Prevê ampliar investimentos da Petrobras na exploração em terra e no mar e em fontes de baixo carbono. | Amplia a exploração e libera o fracking |
Fiscalização e licenças | Propõe reforçar fiscalização e monitoramento, mas não detalha como e se haverá mais orçamento e pessoal para Ibama e ICMBio. | Licença automática se o órgão não responder no prazo e revisão das funções de Ibama, ICMBio e Funai |
Preparação das cidades | Propõe fortalecer planos de adaptação e prevenção de desastres. | Propostas genéricas para eventos extremos |
Dá para ver que os planos partem de visões bem diferentes. Um coloca o clima como eixo de desenvolvimento. O outro trata a natureza principalmente como ativo econômico e foca em destravar obras e exploração.
O que nenhum dos dois responde. Os dois planos querem ampliar petróleo e gás, e nenhum diz o que fazer com a exploração na Margem Equatorial e na Foz do Amazonas. Para quem defende uma transição justa para longe dos combustíveis fósseis, como a JDS, essa é uma lacuna dos dois lados. E é um ponto que vamos cobrar de quem for eleito.
Perguntas para ajudar analisar as propostas antes de votar
O plano apresenta objetivos claros para enfrentar as mudanças climáticas?
Quais ações propõe para prevenir desastres e preparar as cidades?
Como pretende proteger a água e apoiar a produção de alimentos?
Como considera as necessidades de moradores de áreas de risco, agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais?
Indica recursos, prazos e responsáveis pelas ações?
Como as propostas se relacionam com a atuação anterior do candidato, quando houver?
Não confie só em posts. Consulte os planos completos no site do TSE e confira a fonte, a data e o contexto dos dados. Diferencie uma promessa de um resultado já alcançado. Compare informações e desconfie de números sem fonte ou apresentados fora de contexto, inclusive nos conteúdos que compartilhamos.
O acompanhamento continua depois das eleições
A JDS seguirá acompanhando as decisões e cobrando compromissos sobre desenvolvimento sustentável, justiça social e mudanças climáticas de quem for eleito. O Fórum JDS permanece aberto à troca de informações e ao debate respeitoso. Nosso compromisso com essas pautas continua depois das eleições.
Fontes
Planos de governo registrados no TSE (2026): DivulgaCandContas
Política por Inteiro: a agenda climática nos planos dos presidenciáveis
Política por Inteiro: transição para longe dos fósseis nos planos de Lula e Flávio
IBGE (IPCA 2024), Banco Central (IBCR-RS), Banco Mundial (Relatório de Clima e Desenvolvimento do Brasil), Observatório do Clima, Rede PENSSAN, MapBiomas
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